não tenho smartphone então observo pessoas na rua

Projeto despretensioso, pouco disciplinado e autoexplicativo iniciado em janeiro de 2016.

Tento postar 3 pessoas a cada dia no facebook. A única regra é descrever apenas seres reais observados ao vivo.

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150 X - O careca tatuado sentado na pracinha que ao levantar a cabeça percebe seu reflexo no vidro espelhado do banco. Agora ele tem smartphone. O que significa? R.I.P.n.t.s.e.o.p.n.r.

149 - A senhora que fez cara feia para a caixa do Hortifrutti, ao ser informada que aquele caixa era de no máximo 10 volumes. A senhora que fez cara feia e iria reclamar da funcionária, mas antes olhou para trás e notou minha cara mais feia ainda desestimulando sua vontade de reclamar. X

148 - Bud, o filhote de viralata que não é tecnicamente uma pessoa, mas conseguiu ser a primeira criatura que eu encontro mais medrosa que a Z, então mereceu o lugar dele, tentando se esconder entre as minhas costas e o banco que eu estava sentado.

147 - o menozinho anti estabelecimento que derrubou três cones rindo, mesmo sob os protestos do pai.X

146 - A dupla de pms na paisana mais escancarada que eu já vi na vida, grandes e brutamontes de calça jeans sapatênis e blusas polo, andando sem cachorro e sem destino pela tarde do Parque Guinle para esculachar os habitantes do fumódromo das mesas de dama.

145 - A jovem grávida com três maços de malborão vermelho na mão, que prefere o vício ao filho.X

144 - O senhor de rosto marcado, olhos sérios e feição dura, tão dura que o chamei de senhor e não velhinho. Em seu pescoço pendurado um potinho de vidro com glitter rosa.X

143 - a Senhora Contradição. vestido de um bege tão sem graça que envergonha as outras cores. mas a primeira a ocupar o banco na minha frente no vagão da meia noite. metade do caminho escutando house no celular. a outra metade se intrometendo no assunto de espíritos do trio gaúcho sentado ao meu lado. com um português simples e semi analfabeto ela distribuiu lições de vida realmente profundas e de clareza singular. ganhou meu boa noite e meu pensamento.X

142 - o menó de traços indígenas (talvez boliviano) que primeiro batia palmas e pulava com chinelos do capitão américa em cima do carrinho, para então se jogar esparramado em cima da mãe e rolar para a avó.

141 - o bombadinho no Parque Guinle que ao invés de revesar a barra com o magrelin-praia-da-Barra (vulgo eu), mandou o migué de que estava com calo até na ponta do dedo e deixou o confere para depois.

140 - a golden estava tranquilona trocando cheiro com a Z, até a dona perceber e puxá-la num arrancão, dizendo que ela não era tranquila para socializar. até agora não sei se referia à golden ou à dona.X

139 - o entregador do Balada Mix que para a moto no meio da bandalha no meio da rua das Laranjeiras para resenhar com o amigo que chegava.

138 - o veterinário meio hippie com curiosas manchas brancas nas pálpebras que me ensinou que vira lata não tem tártaro pois sua saliva é mais ácida.X

137 - ele de camiseta laranja e sacola plástica de supermercado, que calmamente se senta na mesinha do Parque Guinle e por 20 minutos ininterruptos se mata de tossir como se os pulmões estivessem treinando para explodir. uma tosse tão extrema que a Maca me pergunta se a gente deveria chamar uma ambulância. até que o cidadão levanta e sai andando calmamente.

136 - a dona do viralata gente fina Pingo, senhora que, com um sotaque carioca ultracarregado, me lança a pérola de conhecimento: 'se malandragem fosse bom, não tinha.... não tinha..... Pingo!'

135 - o senhorzinho negro de terno marrom, chapéu cinquentista e gravata pendendo do seu corpo magro arqueado pelo peso de uma mochila de estampa de oncinha.X

134 - uma grande alegria quando alguém se quebrava todo e aparecia de gesso na aula. ninguém feliz com o osso partido do amiguinho, é claro. mas aquela casca branca envolvendo membros danificados, ela sim uma das grandes atrações da minha infância.X

se fosse um moleque o portador da glória, a tela servia para testar as últimas letras toscas de pixação. se fosse menina, então as opções eram manter a pixação ou escrever um recadinho e então assinar a pixação.

os mais ousados partiam pro flerte com coraçõezinhos e nomes legíveis.

na época não existiam redes sociais, então andar por aí com uma prova física de quanto você era querido, com todos os desenhos e recadinhos e assinaturas, uma espécie de versão analógica da nossa atual indulgência virtual em likes. mais real e satisfatória.

fazia ANOS que eu não cruzava com uma criança de gesso, uma percepção recorrente e melancólica - as crianças pararam de se quebrar, até que eu parei de procurar.

pararam de pisar em falso, cair da árvore, se estourar na bicicleta. hoje em dia os pequenos zumbis quebram a tela do ipad, nunca a perna. racham o smartphone da mãe, não o rádio do antebraço ou sequer uma falange da mão.

até que semana passada encontrei um unicórnio no metrô. estava ele lá, camuflado na indiferença geral, inquieto, pés no banco, gastando todo o tédio da viagem no pai. sem smartphone sem ipad, apenas um lindo, maravilhoso, exuberante, um lavador de alma gesso indo da mão à metade do braço direito.

a tipoia pendurada no pescoço como um colar sem melhor uso. da-forma-que-tem-que-ser.

o menó tinha quebrado o cotovelo, e eu passei a viagem inteira tentando ler os recadinhos coloridos escritos para aquele pequeno e lindo animal que eu considerava extinto. não consegui, estava de óculos escuros e não podia tirar porque meus olhos cheios de água, acredito que de esperança. sim, era disso mesmo. esperança refeita.

133 - ela desceu o elevador inteiro falando alto, meio revolt. então o elevador parou no térreo e as duas velhinhas com quem estava conversando saíram, e ela ficou parada, e todos esperando, e ela parada na porta, que começou a fechar. então ela avisou que não ia descer não, gente.

132 - camisa com logo da nike em laranja fluorescente combinando com o nike laranja fluorescente nos pés, então uma faixa tribal no antebraço esquerdo, um diamante verde no pescoço e duas gotinhas na cara. e mais nenhuma tattoo à vista.X

131 - chapéu de boiadeiro com dois chifres incorporados, em cima de um bigodão risonho passando numa bicicleta.X

130 - o coroa calvo de dentes amarelados e pose de garotão que aproveitou a dupla de violinistas latinos para puxar assunto com a muito mais jovem e bonita loira no vagão do metrô, estragando meu deleite pelo tango Por Una Cabeza.

129 - ela de cabelo raspado com um skate debaixo do braço, fones de ouvido e bambolê listrado preso na mochila que por algum motivo me passou a impressão de que anda de skate e pratica bem o bambolê.X

128 - o fera com seu boné da Airwalk escrito "skate" saindo do metrô enquanto rodava uma bola de basquete no dedo com um andar malandro, que por algum motivo me passou a impressão de que não anda nada de skate nem joga porra nenhuma de basquete;

127 - A garotinha andando na minha frente de maria chiquinha com mochila da Barbie Rock'n Royals cobrindo suas costas inteiras com intenso brilho glitter-strass, que ao invés de jogar o papel de bala no chão, largou da mão da mãe para ir correndo até a lixeira da pizzaria.

126 - O nerd magrelo cabeleira já espichado aos 13/14 anos de espinhas todo orgulhoso andando por Laranjeiras com seu kimono fechado por uma faixa amarela no umbigo.

125 - A velhinha cujas compras no Princesa se resumiam a dois Hot Pockets de cheesburger e um Teachers.X

124 - o casal de gordinhos românticos que numa descida de elevador revesaram quatro posições diferentes de aninho, e até sair do prédio.X

123 - a garotinha de uniforme amarelo que saltou o último degrau do ônibus, quase me aplicando uma voadora na calçada, para depois perguntar para a vó se ela tinha visto a saída triunfante.X

122 - o ferassa de óculos de armação de madeira reciclada, dupla de trancinhas loiras e sapatos brogue pedalando um triciclo daqueles em que se fica praticamente na horizontal.X

121 - O bêbado de estrada com seus cabelos e barba brancos, chuteira de futsal num pé e chinelo de dedo no outro (inchado de gota), que saiu cambaleando da conveniência do posto com sua garrafinha de coca com recheio de pinga, após executar no banheiro um processo descrito pelo meu amigo como "abandonar o intestino no vaso".

120 - O menózin em Penedo que reinou a moda inverno com o estilo moletom-suspensório: casaquinho jogado por sobre os ombros com as mangas amarradas na bermuda. Um hit.

119 - O vôzão da banda Cheiro de Rock que quando iniciava um solo em sua Stratocaster me botava em dúvida se ele sobreviveria para receber os aplausos.X

118 - O entregador do Boomerang comentando que hoje está meio frio então ele vai usar aquela camisa pólo da Lala, o que eu imagino ser um apelido carinhoso para Lacoste.

117 - A coroa de traços orientais com o maior sorriso do mundo para a selfie junto com o boneco do ET na cestinha de bicicleta da loja de bicicletas.X

116 - A garotinha de uniforme de colégio todo verde, mas com óculos escuros de armação rosa.X

115 - O senhor técnico de equipamentos odontológicos vestindo camisa jeans com as informações bordadas em vermelho por alguém que claramente não sabia português.

114 - A Isabela com um vestido rendado branco todo bonito que insistiu por uma partidinha de pique-esconde com a mãe enquanto esperavam o elevador. Ela se escondeu atrás do vaso de planta e ninguém conseguiu encontrá-la até o elevador chegar.X

113 - O porteiro que tinha um dedão nascendo do seu dedão da mão esquerda.X

112 - O casal de uniforme que andava tão agarrado, mas tão agarrado, que tropeçaram duas vezes um no outro antes que eu ultrapassasse na estreita calçada da Rua das Laranjeiras.

111 - O senhor negão de cabelo ralo grisalho que me deixou com preguiça quando entrei no elevador, pois reclamando sobre as luzes apagadas dos corredores como se fosse um problema do Brasil. 

110 - A garotinha no recreio do publicão que mirou na canela do amigo e errou, e o amigo riu e contornou ela como se numa tourada, e a garotinha não desanimou e foi lá e catou a canela do engraçadinho, que ficou no chão enquanto o sinal mandava todo mundo de volta pras salas. Ela saiu correndo saltitante e vencedora.X

109 - A mãe com bem mais de 10 itens na cesta e ainda assim na fila rápida, e ao mesmo tempo com um bebê no carrinho fazendo compras sozinha, e no fim me deixou sem uma opinião.

108 - Ela que apesar da pouca idade no aparelho e joelhos virados para dentro e mania de passar a mão no cabelo, escutava os gritos. E fingia que não ouvia.X

107 - Ele de uniforme e um cabelo meio fosco, com suas espinhas e a postura de quem espichou tem pouco tempo e com medo da nova altura, gritando seu amor por trás da simpatia da friendzone.X

106 - A irmãzinha voltando do colégio com vários botões coloridos de todos os tamanhos costurados na mochila.X

105 - O irmãozinho na cadeira de rodas com uma tattoo animal de televisão no pescoço, bolado que não tinha a promoção do queijo extra no Hell's Burguer.

104 - O irmãozinho do prédio com um problema motor meio grave que tropeça e cai ao sair do elevador, eu pego um braço outro vizinho também ajuda e é isso, de pé de novo, cai levanta ri da queda.

103 - A menininha que lia seu livro infantil com o dedo acompanhando cada linha e levantou a atenção para responder o meu boa noite com um divertido TCHAAAAU.X

102 - O cara faixa azul de jiujitsu que me intrigou com a tattoo "PB" no pescoço, já que todo o seu set era colorido.

101 - A senhora de sandália de oncinha, camisa de zebrinha e calça rosa da cor do acabamento das páginas da bíblia que ela lia meio que só para ela mas em voz alta no metrô.X

100 - O menozinho que entrou no elevador, me deu um sorriso, passou a subida lambuzando a cara com o picolé de coco e desejou boa noite quando saiu no andar, levado pela mão da mãe.X

99 - O coroa careca no elevador que tinha as orelhas enrugadas e fez eu me perguntar se já tinha visto alguém com orelhas enrugadas.X

98 - O mímico que imitou meu passo lento e deixou o mudismo de lado para me desejar bom dia e se afastar assim que viu no meu rosto o quanto eu gosto de mímicos.X

97 - Dona Dina que maquiada e toda bonita com seu cordão de pérolas e camisa floral perguntou se eu estava indo para o metrô. Ela tinha uma entrevista no Centro e hipertensa para o sol fritex do dia. Me passou a ecobag com os livros e manteve dobrado no braço o blazer saibro que levava como opção. Explicou que a entrevista sobre universidades para a terceira idade, seu tema de doutorado de duas décadas atrás. Ela também psicóloga, professora da Ufrj e mais uma vida de conquistas no cartãozinho verde que me deu para que eu tivesse o seu email. Fiz minha estreia no elevador do metrô, separamos na roleta pois meu cartão saldo insuficiente, e quando saí no Largo do Machado um mímico (o n. 98) me fez perceber pela imitação que eu ainda caminhava em câmera lenta. No ritmo sem pressa da Dona Dina, que me chamou de netinho ao se despedir. Segundo ela, seu primeiro neto tatuado. Dona Dina vai receber um email carinhoso.X

96 - A caixa do Princesa que parece uma índia veinha e me chama de "amor" com todo o carinho do mundo.X

95 - O coroa negão de barba grisalha e um 6 panel na cabeça todo formado de latinhas de brahma trançadas.

94 - A senhorinha de vestido florido lilás, chapéu de aba redonda de safari, botina de trekking e cigarrinho na mão pra cortar a vibe saúde-aventureira.X

93 - O taxista gordão de camisa vermelha e pele esburacada que se perde em Santa Tereza pois conversando com "Lekinho" no celular.X

92 - A senhora que volta do seu dia de trabalho no metrô conferindo o twitter do Felipe Ret.

91 - Na parte de trás da cabeça, um turbante de dreads que solto provavelmente alcançaria o tornozelo. Na parte da frente, os últimos guerreiros penteados no boi lambeu tampando a calvície com peneira.

90 - A menina esguia de cabelo curtinho que insistia em começar o giro de bambolê no pescoço, apesar de não funcionando.

89 - A moça que caiu numa juventude meio destoante com seu outfit punk coca-cola com maria chiquinha.X

88 - Os feras que aproveitaram a noite no mal iluminado Parque Guinle para uma sacanagenzinha romântica deitados na grama.

87 - ela passeando o viralata de roupa social, com dificuldade de abrir o guarda-chuva, que me abriu sem dificuldade com um sorriso.X

86 - a senhorinha com camisa amarela e terço no pescoço escolhendo maçãs e conversando sobre o convite que ganhou para assistir "àquele filme colombiano lá que foi indicado ao Oscar", convite que ela só aceitou porque aceita qualquer coisa mesmo, "até show do Djavan".

85 - a menina de cabelo loiro crespo com calça rosa e arco verde que sobe a rampa de entrada do prédio correndo com os dois braços abertos em asas enquanto eu me arrastando velho cansado.X

84 - outro no coquinho - dessa vez platinado - com uma bermuda de estampa de peixe beta e camiseta de leão com juba detalhada em strass que tinha uma séria obsessão com as unhas e não deixou de futucá-las por quatro estações de metrô.

83 - o latino careca de camisa verde fluorescente e pochete que desce do ônibus cantando e dançando tinhoso e lançando joinhas pros operários da obra.

82 - o ferassa de coquinho saindo da academia todo suado e saltitante cantando ALTO o Falamansa nos fones de ouvido.

81 - o flamenguista negão com snapback do chicago cubs e crocs levando embaixo do braço um Crime e Castigo marcado muito além do que eu já fui capaz de chegar.

80 - a gordinha com camisa do Poderoso Chefão, saia plissada preta, um casaquinho de lã cor da tintura lilás do seu cabelo, que derrubou milkshake de ovomaltine na mão e lambeu com um sorrisinho satisfeito.X

79 - o fera máxima no estilo malandragem do recreio, com frutinhas verdes na mão, um olhar atentado e um radinho atravessado no peito tocando Because you love me da Celine Dion num volume ALTO.

78 - O gordão de cabelo branco e pança escapando por baixo da camisa pólo azul turquesa que instalava a campainha em cima de uma escada e não respondeu ao meu bom dia.X

77 - A velhinha cheirosa no conjuntinho de tigresa, unhas num vermelho impecável e bengala de madeira envernizada que se espantou com meu bom dia no elevador.

76 - Ele caminhando pela estradinha de terra sem camisa e cortando uma manga com um facão do tamanho de uma espada.X

75 - A fada bailarina brilhante com flores no cabelo, vans verde e varinha de fitas coloridas que roubou meu coração.X

74 - O fera fantasiado de espírito fanfacarnavesco que levanta sua amiga nos ombros feito saco de batata e ao descê-la se esquece de soltar as pernas, derrubando a moçoila de bunda em frente ao Copacabana Palace. 

73 - Jesus e Moisés dividindo uma cerveja à caminho do bloco.

72 - A dupla de odalísticas acumulando a fantasia de chocalho.

71 - A mineira sentada no metrô contando sobre a dupla de "odalísticas" com quem havia cruzado.

70 - A tia morena toda em estampa florida vermelha, unhas vermelhas, cabelo armado tingido de vermelho e um singelo arco de pérolas no formato de orelhas de gatinha.X

69 - Ela que além da grinalda uma plaquinha escrita "feita para casar" e assim talvez adicionado uma leve camada de angústia real à fantasia.X

68 - A policial novinha que puxou a arma e ficou em êxtase ao tirar de nós a informação de que ainda estava rolando bloco dois quarteirões à frente.X

67 - Ele vestido de mini saia, asas de anjo e glitter dourado lacrando o asfalto-passarela num salto agulha que dava aflição.

66 - A tia enrugada com uma peruca vertical azul mostrando que no mundo real a Marge Simpson seria vítima do tempo como todos nós.X

65 - O casal numa combinação bonita de sombrero e poncho em círculos coloridos que pareciam um portal ao arco-íris.

64 - A turma de kimono laranja em fila com um daqueles dragões chineses de festas de rua, cruzando o bloco em grande estilo dragon ball z.X

63 - O negão de drácula com relojão dourado e óculos escuros, um ombro e uma cabeça acima da estatura geral do bloco, então meio que também fantasiado de arranha-céu da transilvânia.X

62 - A mãe de Minie com a filha pequena de mini Minie nos ombros, formando uma das melhores duplas do bloco.X

61 - O vilão que enfrentou o calor 100% vestido de kylo ren.

60 - O herói que enfrentou o calor com uma lycra roxa cobrindo 100% do seu corpo.X

59 - O amigo do fera de esteróides, que não fantasiado mas por baixo da bermuda cargo uma sunga de estampa do calçadão de copacabana que fez o serviço.

58 - O fera fantasiado de esteróides que caminhava no metrô pulsando os bíceps e olhando em volta à procura de audiência.X

57 - O mestre de tênis vermelho, roupa verde, luvinhas brancas e botijão de água verde na cabeça zerando o bloco como o amiguinho favorito da nação, o grande Dollynho.X

56 - O gordão suado de chapeuzinho panamá que primeiro me encheu o saco para pintar a tatuagem do Mike Tyson na cara dele, para então se anunciar fisioterapeuta e me dar uma consulta gratuita sobre gota.X

55 - As ambulantes em sua ilha de isopor enchendo os pulmões para anunciar o que se tornou um dos slogans do carnaval - skol bitcheeeeeees!X

54 - O ferão de peça vermelha de lego que merecia um abraço apesar de todas as suas arestas.X

53 - O bonde de avós melindrosas impecáveis no traje mostrando como se pula um carnaval com toda classe e alegria de cabaré.

52 - O pela saco com uma tampa de privada na altura da cintura, uma mochila de descarga e uma plaquinha de "wc feminino" que ganhou o prêmio de mais repugnante do carnaval e única badvibe da festa.

51 - Ele que precisa de atenção então gritou saudação aos boêmios no outro lado da rua das laranjeiras antes de cruzar as pistas até o boteco.

50 - Ela com cabelo loiro ondulado, tattoos somente no braço direito e macacão curto jeans que sustentou um sorrisinho de canto de boca ao sair do prédio.

49 - A menina de maria chiquinha com elásticos verde fluorescente que contava sempre até 8 as pessoas esperando o elevador para então recomeçar (descobri em seguida que 8 a lotação do elevador).

48 - Ela que mora no meu andar, instalou uma porta gradeada e passa seus dias sentada com o rádio ligado em notícias sobre o trânsito e o olhar fosco de quem vive só para assistir ao tempo passar.X

47 - Ela que enquanto passava pelo caixa um wafer de morango da visconti e um guaraná antártica diet 2 litros cantarolava uma música sobre jesus num tom que me deixou em dúvida se evangélica ou apenas irônica.

Ilustra Rique Inglez

Ilustra Rique Inglez

45 - A Alexia que não estava muito aí para seu pé sangrando enrolado numa canga e veio dizer que eu era i-gual-zi-nho ao garoto que ela tinha acabado de ficar no bloco... ela e a amiga.

44 - Ela sentada ao meu lado no Integrada 8 com camisa florida, mochila florida, óculos florido e terço no pescoço que parecia budista não fosse a cruz, que passou o caminho inteiro tentando conectar comentários de revolta com o mundo.

Ilustra Cadu Confort

Ilustra Cadu Confort

42 - O campeão que poderia estar fantasiado de gótica suave se não fosse a plaquinha de papelão avisando que ele era uma viúva negra - solteira.

Ilustra Cadu Confort

Ilustra Cadu Confort

40 - O fera com peruca e máscara rosas, top amarelo brilhante e mini saia plissada cobrando 1 real por foto enquanto mostrava pro bloco como se samba com um salto agulha do meu tamanho.

39 - O menó com camisa dos Steelers indeciso se mais maneiro enfrentar os poucos pingos de chuva ou manter aberto seu incrível guarda-chuva do homem aranha.X

38 - O Orlando que navalhou minha cabeça e ficou tão empolgado que eu queria conversar ao invés de afundar no celular ou ler uma revista que se despediu decidido a fazer sua primeira tattoo, as iniciais do filho.

Ilustra Rique Inglez

Ilustra Rique Inglez

36 - O PM que despido do poder da viatura, tenta demonstrar sua superioridade mantendo-se em pé sem apoio no metrô, recebendo o sorrisinho sarcástico que lhe é devido.

35 - O ser triste e patético que você pode conhecer ao googlear "mulher presa racismo centro rio", que ensaiou outro show de horror no metrô e recebeu o devido esculacho do careca tatuado que a reconheceu.

34 - O guardian angel de camiseta, bike e capacete homemade do Robocop que recebeu uma gargalhada na cara, afinal se for pra carnaval é elogio, pra projeto de justiceiro é tiração mesmo.

Ilustra Cadu Confort

Ilustra Cadu Confort

32 - Ela também enorme que passou a roleta com dificuldade, uma pinta no lábio inferior e guerreirona com cicatriz tão larga e grossa no braço que fiquei surpreso de ainda haver braço.

31 - Ela bem grande com gorro vermelho e aquela camisa preta clássica de esqueleto que me deu uma ideia de como seria um esqueleto de ossos flácidos.

30 - Super Mario Bros com uma bóia de Yoshi na cintura e copo de vodca com energético que avisou o carnaval chegando e isso aqui vai ficar divertido.X

29 - A pequena de vestido rosa de oncinha, olhar atentado e gesso no braço que me fez perceber com certa tristeza que não via uma criança de gesso há muito tempo.

28 - Ele que cruzou os braços ao entrar no elevador, e assim continuou ao sair para o hall e pelo corredor longo, me fazendo diminuir o passo para vê-lo finalmente descruzar os braços na entrada do prédio e assim entregar o porquê da postura defensiva.

27 - Ele de camisa de baseball com as cores do macdonalds recebendo uns toques finais do seu professor de muay thai sobre joelhadas e cotoveladas rodadas enquanto espera o metrô pra casa.

26 - A namorada que continua suspeita, afinal não faz o menor sentido mandar coisa importante só por sms. Sms tem limite de "caráter".

25 - O argumento dele sobre o desentendimento no whatsapp é que foi pura desatenção. Sendo importante, ele esperava receber a mensagem por sms.

24 - A senhora de óculos caídos no nariz que no século 21 ainda guarda receio em escolher tomates junto a um cara tatuado.X

23 - A velhinha encurvada e sorridente com um chapéu de frio que cobre as orelhas e recebe um beijo na mão do gerente do Hortifruti ao chegar para fazer compras.

22 - A senhora de cabelo branco em rabo de cavalo e camisa da Jornada Mundial da Juventude que do nono andar ao térreo cita Jesus 11 vezes (e não foi da primeira que eu comecei a contar).X

21 - A coroa de vestido florido verde e branco que entre atravessar a rua e não atravessar a rua, tranca a rua das Laranjeiras para não ser atropelada.

20 - O pela saco de bigodinho ralo e cabelinho brilhante seboso que desce o elevador no revesamento de diálogo entre a que ele chama de amor e a que ele chama de "ah gata sério?"

19 - O negão forte e compacto com cheiro de cigarro que entra no elevador segurando um capacete branco enfiado pelo antebraço, relógio e anel dourados na outra mão, e uma voz de trovão que levanta do iphone para dizer "Carne assada com macarrão", antes de mergulhar de novo no virtual, sem deixar qualquer explicação.

18 - O sósia de Javier Bardem que tira a bermuda e, vestido em sua cueca boxer de smiles coloridos, dança heavy baile como se tivesse saído do clipe de Praise You do Fatboy Slim.X

17 - O gênio que vai pra consulta com o cardiologista (no caso meu pai) vestindo uma camisa escrito "fast food".X

16 - A senhora que delicadamente põe a mão na frente da boca e abaixa a cabeça para dizer de forma discreta ao celular que "Ta chovendo PRA CARALHO lá fora".

15 - O guardinha municipal de óculos espelhado de aviador, barriga e pose que parece um policial americano em final de carreira nos trópicos.X

14 - O fera com o menor coque do mundo, um cocô de ramster amarrado ao topo da sua cabeça.X

13 - A senhora com pés na cadeira e roupão de banho esperando numa boa a hora do voo no saguão do aeroporto.X

12 - Ela com óculos escuros do Jack Daniels, lateral da cabeça raspada, unhas azuis descascadas e pulserinha da Colômbia que me deu a mochila pra segurar no ônibus.X

11 - O tiozão camisa social por dentro da calça jeans com cinto de cobra que tinha o celular igual ao meu.

10 - O Rodrigo que vai levar a namorada no Entrecôte para um jantar com aliança, mas flertando com o amigo para quem contava os planos.

9 - A moça sentada no ônibus que só tinha selfies na sua timeline.

8 - O japinha que não precisa da atenção ou palmas de ninguém para espancar seu solo no tecladinho da praça de alimentação, com um sorriso de quem sabe que é fodão mesmo.X

7 - Os PMs que patrulham de cabeça baixa no celular, atrapalhando o trânsito enquanto esperam o Koni sufocado ficar pronto.X

6 - O garçom do Balada que posiciona os olhos na exata área em que no momento seguinte vai estar a bunda da mulher cruzando com ele.

5 - A coroa que conversando com um velhinho declara que "incomodar" é o seu esporte radical.X

4 - O metaleiro flamenguista com a camisa do Fla-Metal que toca baixo pela forma como dedilha a música tocando no ipod.

3 - A tatuagem de pantera negra na batata da perna dela tem três olhos e parece um gorila ao contrário com o gogó do andré marques.

Ilustra Rique Inglez

Ilustra Rique Inglez

1 - O casal que espera pelo hamburguer no seu hobby favorito, discutir sobre como a relação era boa e os motivos de ter ficado uma merda.