Por algum motivo em comum, para variar / by Hugo Inglez

Noossa ia ser bonito, juntar todo mundo numa só manifestação, por algum motivo em comum pra variar.

Cassar o Cunha. só isso. A gente veio o país inteiro para rua hoje avisar que é pra botar o Cunha fora, já que ele não se dá à elegância. Hoje a gente só quer isso mesmo, tá geral de acordo.

Um milhão de todo o plural de povo com um único pedido.

Saiu Cunha? Legal, essa semana a gente quer o Renan fora. Ainda todo mundo de acordo por aqui. Hoje é milhão só para expulsar o Renan.

Corta as cabeças do Congresso para passar o recado.

Mas empolga não. Vamos manter no interesse comum, na unanimidade. Acabou a unidade em relação aos indivíduos? ok, deixa a pf continuar batendo nas portas.

A gente podia continuar junto, pra variar. Dessa vez sei lá, cortar uns privilégios específicos e transformar de volta em cargo público a "profissão" de político, que passou a significar empresa privada pessoal.

Dá pra azedar o sabor de terceira.

Corta o patrocínio privado de campanha, de vez. Funcionário público trabalha para o público, eu você o chefe é nós, pagamento em impostos. Empresas trabalham com o governo de acordo com a competitividade de suas propostas em processos regulados. Isso é princípio básico de esquerda E direita.

O que mais tem é empresário querendo competir livre desse sistema de propinas e "doações".

Então um diazinho na semana o país parado para garantir o entendimento do recado. Agora doação é individual, caixa dois é caixa dois e propina é propina. Revê aí seus contratos publicitários.

Na semana seguinte todo mundo volta para pedir o fim do foro privilegiado.

Afinal funcionário público é meu e seu funcionário, recebendo muito bem por isso. Se eu disser que funcionário merece privilégio em relação ao chefe, vão me chamar de comunista na hora.

Então o foro privilegiado está em total desacordo com os ideais de esquerda e ao mesmo tempo é um privilégio bem comunista ativo no sistema. Fica até um monstrinho carismático.

Um dia da semana para acabar com o monstrinho. É todo mundo julgado igual.

se bem que não.

Corrupção podia ser crime hediondo. Não? atender um pouquinho aos demônios.

(talvez não seja crime hediondo em um país civilizado, mas país civilizado não precisa de assento preferencial. Por aqui se desvia de merenda, pensão e hospital, então por aqui corrupção precisa de agravante, porque mata muito e sem olhar na cara, na covardia).

Três dias na rua de todo mundo junto, com um só pedido simples, em comum acordo, para variar.

Três semanas de consenso sobre problemas Muito errados e estratégicos.

Porque imagina as campanhas de 2018 com essas novidades:

- agora a campanha pode sair bem cara, para levar sem representatividade.

- se a pf pegar o caixa 2, o julgamento é pelos moros e não pelos ministros.

- se condenar, hediondo é tratado da forma como se lê.

Ainda avisa que a gente vai continuar retirando privilégios, os auxílios-a-porra-toda. Ao invés de discutir com seu esquerdista favorito o fim do Bolsa Família, soma com ele na manifestação da semana para acabar com os Bolsas Políticos. Nisso a gente concorda todos.

Nisso a gente deixa os antigos donos do mundo preocupados em apagar a luz ao sair do gabinete.

Os efeitos desses pequenos grandes consensos seriam imprevisíveis. Chance de faltar candidato. de entrar muita gente diferente, até meio nada a ver, com uma veia pública e meio maluca para os novos termos do cargo.

Sabe médico, que nasce médico e é meio maluco por isso? Abrindo gente, remontando gente, salvando gente... A gente podia ver se tem político que nasce pra ser político de verdade. Melhorar e salvar vidas com decisões definitivas a um ritmo devastador de trabalho e responsabilidade. 

Sem muitos obrigados.

Imagina aparecendo alguéns com esse pique já em 2018. Pode vir as bizarrices, pode vir os mais ousados dos antigos. Desde que gente nova e séria e no compromisso tenha uma via limpa para apresentar propostas e botar a cara, a gente tá afinando a democracia por intervenção popular direta e organizada, ao invés de ficar discutindo em cima do fantasma do filme de 64, sobre o que do mesmo vamos manter improvisado no poder.

H.I.