Feliz aniversário minha Vidinha / by Hugo Inglez

Hoje faz 3 anos que ninguém capaz de adivinhar sua raça. É do ser humano pegar leve no absurdo quando encontra algo especial. E você já chegou singular, sem avisar nada, numa data enfileirada - 10/11/12.

Logo eu que acredito no acaso conversando por números, e que o amor sempre dá seu jeitinho, deveria estar ligado que naquele dia algo definitivo para acontecer na minha vida.

Confesso, no início eu e sua mãe não sabíamos direito quem ou o que você era. Os irmãos diferentes demais para a unidade de uma nova raça, york francês ou buldogue terrier. Especiais demais para aquela sigla horrível de SRD ou apenas viralata. Cada um de vocês únicos, restou batizar pela singularidade.

Gordo, Montanha, Pituca, a quietinha Sem Nome e você, que veio disfarçada de ursinho de pelúcia, mas já no comando da gangue. Então Ursa ficou, e tão logo Ursinha Vidaloka, assim que mostrou ao que veio, em hiperatividade e uma língua de extensão surrealista.

Uma língua até hoje em missão irrefreável de distribuir carinho a quem passar pela frente. A Juju, que antes toda na dela, entendeu a filosofia de que dar e receber são momentos diferentes de uma mesma ação, e hoje toda carinhosa espirrando na cara das pessoas.

Até o Hugo, todo arrogante de sua inteligência e pensamentos complexos e mimimi cult antropológico, uma hora arrebatado pela humilde percepção de que as maiores lições nos seres de bondade mais simples. E faz 3 anos que eu não te vi, nenhuma vez sequer, fazer mal a qualquer coisa existente no mundo.

Parei de matar barata depois que vi você fazendo carinho em uma.

Três anos sorrindo todo o dia, o dia inteiro. Chamam de prognatismo, eu vejo sabedoria em se manter de bem com a vida. Precursora do deboísmo.

Três anos deitada à porta para proteger quem você ama, mesmo que proteção seja um estado de vontade, uma intenção de salvaguarda. Três anos deitada à porta para esperar a volta de quem você ama, para então celebrar como se décadas de distância a cada 5 minutos. Como se fosse a última vez.

Afinal não deixa de ser. Até alguém voltar, aquela a última vez que você o viu. E com certeza a última vez que o viu daquele jeito. Em cada reencontro alguém diferente que retorna. Então é comemorar o máximo, comemorar mesmo, que o amor se manteve, e se bobear cresceu na saudade, ainda que a saudade tenha apenas ido à padaria.

Se hoje eu prezo e celebro e aproveito e repito na memória, insistente até gravar na alma, cada segundo de cada boa companhia que o acaso me proporciona, faz uns 3 anos que aprendi que presumir futuro é desperdiçar presente.

Mil e novecinco dias de você presente, e eu um pouquinho mais evoluído a cada um deles. Correr o máximo do fôlego, só para voltar correndo o restinho que sobrou, sem dar a mínima para explicação. Correr como se destino nenhum estivesse olhando. Dormir em cima da sua família, literalmente em cima, na barriga, no pescoço, nas pernas e na cara.

Ouvir com o olhar, dizer com o olhar, priorizar o carinho acima de tudo. Entregar sempre muito mais que o necessário, para pedir sem vergonha o mínimo que for preciso. Pois o essencial está sempre no mínimo.

Lhasa, maltês, norfolk, shih tzu, as pessoas continuam chutando longe por medo de ir longe. Mas você me levou tão além que eu não tenho medo de arriscar.

Você uma ursinha de pelúcia que ganhou vida. Uma loba gigante em miniatura. Uma atriz de Hollywood, dublê de Game of Thrones, modelo de semanas de moda, ninja da Yakuza, agente da KGB, agente dupla da CIA, hacker da Anonymous, chefe de gangue canina, você macho e você fêmea, a alma que não caiu pequena, psicóloga e maluca, você filha de dragão, elementar do fogo, filha de peixinha, elementar de água, você o despertador do próximo dia e faxineira de narina, tapete sobre travesseiro, minha luz guia no nevoeiro, minha terra do nunca e o melhor amor que tenho em mim.

Você não sabe ler palavras, mas eu preciso delas para me escolar da intensidade do sentimento, e ler sentimentos você especialista. Então agora que escrevi meus parabéns, vou deixar você ler nos meus braços. No mais apertadinho dos abraços, o para dar certeza de que você meu coração, o que eu não vivo sem.

Parabéns minha Ursinha Vidaloka. Continua agitando meu universo. Ele na ponta da sua língua.

H.I.