O Primeiro de 2018 / Nazaré + Óbidos / by Hugo Inglez

/ bate-volta para: Nazaré e Óbidos (Portugal)

// transporte: Caveirão, o furgão hotbox, e Romeu, o Alfa Romeo seguro

/// tempo de role: sai de Lisboa 11h, volta ao pôr do sol

//// squad: Hugo quem me viu mentiu, Felipe "Charrete" Cantieri, Tiba Villasboas, Henrique o Primo, Johnny Wozen, Maclin e Camilinha do Gamão Grinsztejn  

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'fala hugueeeei, beleza puto? chegando aí ein, dia primeiro. seguinte, tem um swell bizarro previsto lá para Nazaré. eu, meu primo e Tiba tamo confirmado dia 2, partiu? tem seis lugares no carro. vemtimbora'.

um transporte com 6 lugares vagos - além dos 3 ocupados - seria obviamente uma van. mas no caso do Charrete, um furgão preto daqueles que a galera do cinema usa para sequestrar pessoas no meio da rua.

sequestrar com classe. assisti ao puto botar aquela geladeira numa vaguinha de shopping com uma bmw X5 do lado como se fosse um Hot Wheels. depois tirar e contornar na cancela o fera que esqueceu de pagar o tíquete, como se fosse um Hot Wheels amanteigado por um artista.

'po... confirmado', meu áudio ainda em 2017, direto da Arrábida. do último batevolta do ano para o primeiro de 2018. justo.

dia 1o de janeiro lombra administrada com cachorro quente de nome Dogzilla e heineken cano alto. dia dois 11 da manhã estamos lá na Pracinha das Janelas Verdes, com a primeira do dia aberta e um folhado de chocolate. preparar corpo e espírito.

e vamtibora que Caveirão europeu é hotbox com aromatizador a caráter.

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'O Veado', guardião da Praia do Norte e uma escultura de seis metrão do caralho. ponto. Agostinho Pires com escultura de Adália Alberto. dizem que Nazaré ganhou o nome quando algum Dom caçou um veado suicida até o precipício e teve que apelar à Nossa Senhora de Nazaré para o cavalo parar, bem na beiradiiinha.

não consigo deixar de pensar que Nazaré deveria se chamar Trancão na Rédea, em homenagem à literalidade portuguesa e principalmente ao cavalo. mas entendo a escolha da santa.

branding religioso era trend na época.

#travelcontent

a descida para o Forte foi assistindo à ondas gigantes em miniatura com deuses-formiga apostando alto com a natureza.

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malta desceu até lá embaixo para sentir a vibração da porrada da onda na pedra. tem que ser uma pedra muito da cascuda e paciente para aturar um castigo de eternidade desse.

ou então a eternidade já criou rocha mais que suficiente, e hoje a onda não passa de carinho. 

abraço. 

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um senhor abraço. olhando de longe continuava impressionante. dessa vez ao final da trilha para a praia. encarar os trovões de frente, ainda mais impressionantes. pela trilha passamos por várias teleobjetivas, e eu senti falta da minha. não para registrar, que a praia toda exercia uma igual magia nos meus poros. eu só queria um binóculo para me aproximar da emoção dos domadores de natureza.

eles saíam e passavam pela tribo com pranchas no formato e tamanho de mísseis em 2D.

(lá pela segunda roda eu dei uma parafinada na interpretação das pranchas, e passei a considerar as ondas como grandes elefantes, e cada surfista que consegue domar um elefante, ganha dele uma grande presa marfim).

foi quando o Pedro Calado passou pela gente e o Maclin explicou para a malta quem era e que ele ficava sempre em silêncio na água..... na dele....... concentrado....... Pedro Calado....... sacou?

ainda vou iniciar um compiladão das melhores piadas do Maclin por aqui. é o creme da sofisticação.

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uma dica preciosa de rolé português - almoço antes das 15h. senão você pode ficar preso a um saco de pistache avaliando possíveis restaurantes abertos. a gente decidiu buscar em Óbidos, cidade natal da Ginga, uma espécie de licor doce que você toma num copinho de chocolate amargo, para depois perguntar onde fica a garrafa de chocolate amargo.

ginja 2 litrão. mas a gente estava atrás de almoço, que eu já sabia que viria em forma de almojanta quando a gente voltasse para Lisboa, mas ok eu estava de pistache e laricas da Camila, já estabilizado na fome.

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Óbidos é uma muralha recheada por ruazinhas recheadas de gente e comércio de rua e barraquinhas de ginja. coloriram as paredes num pigmento azul vívido que quando você põe o dedinho de curiosidade, sai no seu dedinho. e aí você fica criativo.

no último visual que desbravamos, reparei algo curioso. a vista era linda - bucólica, pacífica, numa palheta calmante e harmoniosa de cores.

e eu preso nos escombros da casa em reforma, mais abaixo. paisagem humana, sedimentos de histórias amontoadas. camas sem teto. deve ser fome hora de voltar para casa. pôr comida na barriga e um teto sobre a cama.

minha menina voltava no dia seguinte. e eu já tinha enganado a espera o suficiente.

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texto e fotografia / Hugo Inglez