Santa Sheshbeshing / by Hugo Inglez

minha insônia notória. o hábito saudável da Camila de iniciar o dia junto com o sol. e assim, no fim de um dia e início do outro, nossa saga do gamão começou em plena hora azul da praia da Barra.

a Camila me ensinou as manhas do sheshbeshing como se deve - sem reservas. Mestrona. nós jogávamos em todo lugar, praia bar restaurante meio da rua e numa casinha de sapê, e rapidim eu passei de perder absolutamente todas, para ganhar uma partida aqui, outra ali.

se a gente saltar para o rolé de Santarém, te adianto que fui o rei da mesa esse dia, superando minha mestra e também o velho lobo Maclin, responsável por salvar a tradição na terrinha, depois da Camila ter aterrisado em Portugal carregando o pecado mortal de ter esquecido o tabuleiro dela no Brasil.

o tabuleiro que o Maclin descolou era bonito como ter uma mesa de sinuca na sala.

e antes de irmos para Santarém aproveitar o último final de semana da Camila em Portugal, eu preciso contar sobre o fera que interrompeu o jogo entre ela e Maclin numa noitada para dizer que talvez aquela não fosse a ocasião para se jogar gamão.

a Camila respondeu que "toda ocasião funciona para jogar gamão".

eu só pensava o quanto aquele fera não estava se divertindo para ficar incomodado com gente se divertindo de um jeito pouco usual ao lugar.

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a Tallulah tinha acabado de aterrisar de um dia inteiro de retorno de Uganda, então num humor solitário.

fomos explorar Santarém só nós três. Eu, Camila e o Velho Lobo Maclin. exploração se faz andando, e eles me levaram pelo cantinho da estrada até uma fonte linda e outros lugares pacíficos em que a Camila mostrou toda sua flexibilidade.

até que nos estabelecemos em um mirador com vista para toda a cidade.

e que comece a jogatina. com morangos.

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 fotografia / Camila Grinsztejn

fotografia / Camila Grinsztejn

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 fotografia / Camila Grinsztejn

fotografia / Camila Grinsztejn

meus companheiros de rolé entraram numa de jogar a versão turkish do gamão, com umas regras crazy-life que eu imagino serem a origem do nome "turkish". Velho Lobo sempre se dava bem nessas regras, então eu que não sou bobo só entrava em campo com as regras tradicionais.

ainda vou falar de Santarém um bocado esse ano. coisas boas acontecendo por lá. mas essa crônica é sobre gamão, então vou ficar por aqui.

a próxima vez que você me encontrar com um tabuleiro, por favor não questiona lugar, hora ou ocasião. vai me fazer pensar sobre a ausência de diversão na sua vida, e me dar vontade de te chamar para a de-fora.

se você entrar, um conselho - tenta me convencer a jogar no modo turkish. ou se for o Velho Lobo, tenta convencer ele a não jogar no modo turkish.

e se for a Camila seu oponente, aí tanto faz, você está fudido de qualquer forma.

fudido mas se divertindo. eu achei que estava aprendendo gamão, mas estava mesmo era em mais uma lição de vida.

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texto e fotografia / Hugo Inglez